4.12.09

Ou tudo ou nada!...

É um poema de que gosto muito... Conheci-o numa gravação que ouvi do João Villaret no Teatro São Luís. Declamado por ele, é ainda mais impressionante. De alguma maneira, fala da medida deste "q.b." que me sinto chamada a viver...
Aqui fica, de Fausto Guedes Teixeira:

Amar ou odiar:
Ou tudo ou nada!
O meio termo é que não pode ser!
A alma tem de estar sobressaltada
Para o nosso barro se sentir viver!
Não é uma Cruz se não se quer pesada...
Metade de um prazer, não é um prazer!
E quem quiser a vida sossegada
Fuja da vida e deixe-se morrer!

Vive-se tanto mais quanto se sente.
Todo o valor está no que sofremos.
Amemos muito como odiamos já!
A verdade está sempre nos extremos
Pois é no sentimento que ela está.

3.12.09

Quanto baste...

Sim, quanto baste... nem mais nem menos!
Aqui para nós: fico nervosa quando, numa receita de cozinha, me dizem que a quantidade de sal é "q.b.". A minha avó não tinha dúvidas: "é fácil, Marta - olhas e vês!". A minha mãe herdou-lhe o jeito, de forma que eu nunca tive com quem aprender... Adoro ver as pessoas que, especialmente versadas na cozinha, medem sem calcular; quero dizer, as que não perdem a espontaneidade nem a simplicidade quando têm de pôr o sal. Sal q.b. Sem mais!
Também gostava que a minha vida fosse assim: alegria q.b. (para não ferir os que estão tristes), sonhos q.b. (para dar espaço à realidade), amigos q.b. (para ter tempo para todos...), energia q.b., intimidade q.b....

Às vezes tenho a tentação de pensar que "q.b." significa "pouca quantidade" e que é uma espécie de convite a "não desperdiçar"... mas não! Q.B. é a "quantidade exacta". E só descobrimos que era a quantidade certa quando provamos o resultado final...

Mas uma coisa é certa: se não arrisco, se, por medo de falhar, deixo de pôr sal, nunca serei como a minha avó. E, garanto-vos, era uma cozinheira de luxo!!